Dilacha e Mãe Tom
(Sibéria)
Todos os anos, quando Dilacha julga que o Inverno já durou o suficiente, abre o grande saco da Primavera sobre a tenda que envolve o mundo e larga o calorzinho todo sobre a terra.
A Mãe Tom, que espreita impacientemente por aquele sinal, esfrega as mãos de contente, ao ver chegar o bom tempo. Agora é a sua vez…
— Bem, o céu desta Primavera novinha em folha está muito azul mas não é habitado! Tenho de tratar disto.
Mãe Tom sobe a um rochedo e põe-se a sacudir as mangas com força…
Quanto mais ela agita as mangas, mais penas se vão escapando a voltejar pelo ar. Oh, maravilha das maravilhas! Todos os anos, as plumas incham cada vez mais e transformam-se em aves que voam a toda a pressa em direcção aos quatro cantos do céu.
A Avó Aranha regressou tranquilamente a casa, trazendo o pote, que já começava a aquecer…
A Primavera compreendeu que, desta vez, não escaparia: quanto mais calor ela fazia, mais o barro endurecia e mais forte a sua prisão se tornava.
Decidiu, então, descobrir a terra para onde a levavam.
Quando a Avó Aranha a libertou, a Primavera gostou logo da sua nova terra e fez brotar uma bonita luz e um suave calor.
Franck Jouve
Le Printemps
Paris, Hachette Jeunesse, 1992
Tradução e adaptação