Ovos-surpresa
(E.U.A.)
O mar deixara na praia um estranho pedaço de madeira às cores, enfeitado de plumas. Yanauluha pegou nele.
Para que é que isto serve?
As ondas disseram-lhe baixinho que era uma vara mágica que criava estações do ano…
Yanauluha apenas conhecia o Verão, que era demasiado quente.
Será que com aquele pau iria descobrir outra estação mais amena?
Yanauluha voltou para a aldeia e, perante toda a tribo, deu duas pancadinhas no chão com a vara e imediatamente surgiram dois pequenos ovos brancos e muitos outros ovos grandes e azuis, que deviam trazer a Primavera.
Alguns Índios precipitaram-se para os ovos azuis, julgando que a estação que traziam seria por certo mais bela, já que os ovos eram maiores.
Yanauluha e os amigos tiveram de se contentar com os ovos brancos.
Os dias passaram.
Quando os ovos brancos começaram a estalar, saíram de lá passarinhos de cores suaves que sobrevoaram a aldeia e em seguida desapareceram no ar, em direcção ao sul.
Yanauluha e os seus amigos seguiram-nos.
Os Índios que tinham escolhido os ovos azuis soltaram gritos de alegria: as suas aves tinham cores magníficas!
Estas aves coloridas rumaram para norte e os Índios seguiram-nas.
Mas depressa as aves perderam as suas lindas plumas coloridas. No seu lugar surgiram plumas pretas, bem feias… e o seu chilreio transformou-se em horríveis grasnidos!
As aves que assim grasnavam eram corvos.
Os Índios que as tinham seguido passaram a ser habitantes do Inverno, enquanto que Yanauluha e seus amigos, que tiveram a sensatez de não pegar nos ovos maiores e de seguir as aves menos bonitas, ficaram com a Primavera.
Franck Jouve
Le Printemps
Paris, Hachette Jeunesse, 1992
Tradução e adaptação