Telepino
(Próximo-Oriente)
Os deuses andavam preocupados. A Primavera já tinha começado há algum tempo, mas por aquele dia, ainda não rebentava erva, nem gomos nas árvores, nem desabrochavam flores.
Quanto às folhas novinhas, amareleciam nas árvores e caíam como no Outono! O que estaria a passar-se? A natureza tinha adormecido como se o Inverno tivesse regressado.
— Mas o que andará a fazer Telepino, o deus da vegetação? — interrogavam-se os deuses.
Telepino tinha simplesmente desaparecido.
Tanto na terra como no céu, a tristeza era generalizada: sem Telepino não haveria Primavera e, sem Primavera, o mundo iria permanecer eternamente frio.
O deus da trovoada chamou dois touros, Seri e Urra:
— Parti à procura de Telepino e tragam-no aqui — disse-lhes.
Seri e Urra procuraram durante muito tempo. Atravessaram muitos campos e pradarias, mas acabaram por regressar de mãos vazias…
Então, o deus do sol ordenou a uma águia que sobrevoasse as montanhas. Mas a ave não encontrou rasto de Telepino e também voltou de mãos a abanar.
Entretanto, a natureza continuava a perder forças…
Então, a deusa Inara confiou a mesma missão a uma pequena abelha.
— Uma abelha? Que ideia disparatada! — troçaram os outros.
A abelha procurou por todo o lado e acabou por descobrir Telepino num bosque. Deitado no chão, dormia profundamente. Mergulhado nos seus sonhos, não se tinha apercebido de que a Primavera havia adormecido juntamente com ele.
Como acordá-lo? A abelha picou Telepino nos pés e nada! Então, picou-o na mão.
— Ai! — gritou ele, sobressaltado.
Esfregou a mão, o pé, abriu um olho e ergueu-se.
— O que estou aqui a fazer? E porque está tanto frio?
Mas, naquele instante, o mundo começou imediatamente a mudar à sua volta: a natureza inteira estava a acordar ao mesmo tempo que Telepino, que prometeu nunca mais fazer a sesta!…
Franck Jouve
Le Printemps
Paris, Hachette Jeunesse, 1992
Tradução e adaptação